sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Teoria do Caos, Filosofia (Erística) e Racionalidade Limitada para Tratar de Comércio Exterior


Caríssimos, para a minha felicidade, ontem foi publicado meu livro "Perspectivas do Comércio Exterior do Brasil em um Mundo Caótico e sem Vantagem Comparativa".

Vou contar aqui um pouco da história desse meu "filho".

A Editora Prismas me convidou para ser Diretor Científico de publicações sobre o Comércio Exterior no ano passado. Aceitei a função, coordenei a publicação de uma coletânea de artigos de vários renomados autores e resolvi também fazer minha colaboração para o tema.

A coletânea de artigos será publicada em breve.

O meu livro foi publicado antes.

Eu costumo ser professor de gestão de negócios internacionais e nunca gostei muito da abordagem de livros sobre comércio exterior, são repetitivos e filosoficamente simples demais para o meu gosto.

Eu sempre achei que as perspectivas de comércio exterior desses livros são muito falhas pois não mostram as bases filosóficas deles em um mundo que é cada vez mais um caos e sofista. E sempre achei que a formação dos economistas é muito ruim.

Minha tese de doutorado de 2006 foi sobre "racionalidade limitada", teoria que recebeu outro Prêmio Nobel esse ano.

Resolvi expor como eu acho que deve ser analisado as perspectivas de comércio exterior do Brasil, agregando "teoria do caos", "racionalidade limitada" e  "erística" (sofismo ou falácias usadas para vencer um debate sem necessariamente ter razão).

Apesar de ser um livro técnico, Chesterton dá a epígrafe do livro e Padre Antonio Vieira e Santo Agostinho agregam valores especiais ao texto.

Acho que ficou muito interessante.

Espero que gostem, o livro está disponível para compra no site da Editora e estará em breve em outras livrarias.

Abaixo vai o Sumário do livro e um pouco da Introdução












Capítulo 4- Conclusões


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Introdução:

O ano de 2017 marca o bicentenário do livro Princípios de Economia Política e Tributação[1], de David Ricardo. A doutrina da vantagem comparativa que é base teórica e até filosófica do livre comércio tem fonte seminal nesse livro. Essa doutrina também fundamenta a Organização Mundial do Comércio (OMC) na sua busca por abertura comercial. A vantagem comparativa advoga que o comércio é benéfico para os dois lados, mesmo que uma das partes seja melhor na produção de todos os bens. Foi elaborada pelo economista David Ricardo, no capítulo 7, parágrafo 16, do seu livro, tratando das produções de vinho e tecidos em Portugal, em seu comércio com a Inglaterra.
Ricardo argumentou que Portugal deveria se concentrar na produção de vinhos, mesmo produzindo tanto vinho como tecidos com  menos mão de obra do que os ingleses. Pois Portugal tinha, usando um termo só definido posteriormente, menor “custo de oportunidade” na produção de vinho do que na produção de tecidos. Dessa forma, por trás da ideia de vantagem comparativa está a lógica do “custo de oportunidade”, que, por sua vez, é um benefício que é abdicado em favor de outro.
O “custo de oportunidade” considera que o benefício e o custo de uma ação devem ser medidos pelo o que se deixou de fazer, o que demanda uma análise ampla de todas as oportunidades disponíveis.
Por isso, faltou a Ricardo analisar, por exemplo, se Portugal só tinha disponível vinho e tecidos para produzir, se apenas o custo de mão de obra para analisar, se só a Inglaterra como parceiro comercial, e se, da mesma forma, a Inglaterra não poderia aprimorar seus métodos de produção e o uso da terra. Sem falar que a troca comercial entre Portugal e Inglaterra é dependente do momento e da questão tecnológica. David Ricardo deixou claro que baseia sua análise apenas no custo do trabalho. e também se sabe que no modelo de crescimento econômico dele não há progresso tecnológico. Ricardo aceitou, por sinal, a teoria populacional de Thomas Malthus.
 Apesar de o “custo de oportunidade” ter aplicação muito mais ampla e fundamentar a própria lógica de vantagem comparativa, a OMC argumenta que se pode dizer que a ideia de vantagem comparativa é “a mais poderosa ideia da teoria econômica”[2].
Em todo caso,  é preciso  saber se a doutrina da vantagem comparativa ainda tem sentido, em um mundo com i) baixíssimos custos de transporte e de comunicação; ii) avançada tecnologia de produção, que adota robotização na produção em diversos setores; iii) alta especialização da produção; iv) possibilidade ampla de realizar toda a produção no exterior; e v) força das multinacionais. A própria OMC reconhece que os países estão ficando similares e assim as vantagens comparativas dos países estão sendo eliminadas[3].
A importância do fundamento das vantagens comparativas depende de fatores que não são fatores econômicos, são questões ideológicas que determinarão o futuro das vantagens comparativas. Para onde o mundo está caminhando para uma ampliação da globalização ou para o reforço do nacionalismo? Até bem pouco tempo atrás, eram políticos de vertente esquerdista que atacavam a globalização e defendiam a produção nacional, mas agora políticos de direita se juntam para atacar o que chamam de “globalismo”. Na campanha presidencial dos Estados Unidos, era Hillary Clinton que apoiava os acordos internacionais de livre comércio, enquanto Trump denunciava o impacto perverso desses acordos nos empregos dos americanos. No Brasil, sempre se disse que presidentes republicanos, como Trump, eram bons para o comércio brasileiro por defenderem o livre comércio ideologicamente, enquanto presidentes democratas, como Obama, prejudicavam as exportações do país por insistirem na produção doméstica, por conta da ideologia nacionalista.  No caso de Obama com o Brasil, a relação do ex-presidente com o país não foram boas, nem mesmo politicamente, apesar da admiração acentuada dos jornalistas brasileiros por ele. Fato reconhecido pela própria administração Obama[4]. Trump promete uma visão mais nacionalista, então a expectativa em geral não é boa para o Brasil, mas há nuances que o Brasil pode aproveitar. Discuto isso no Capítulo 3.
Deve-se considerar também que no arcabouço institucional dos Estados Unidos, o Congresso americano tem muito poder, incluindo sobre políticas comerciais. Um presidente deve saber negociar com o Congresso, especialmente quando é dominado pelo partido opositor. Obama foi considerado o pior presidente da história dos Estados Unidos em termos da sua capacidade de passar leis com apoio do Congresso[5]. Assim como Obama, Trump inicia seu governo com seu partido dominando tanto a Câmara como o Senado, vamos ver se consegue se sair melhor que seu antecessor. Não é difícil, uma vez que Obama, em oito anos, aprovou menos leis que Jimmy Carter, que teve apenas quatro anos de governo.
A China, o mais importante parceiro comercial do Brasil, não tem esse problema típico da democracia, de conflito entre poder executivo e poder legislativo. Não se pode nem questionar as decisões econômicas, políticas e sociais do partido único da China. Nem mesmo os dados econômicos. O  partido único na China está presente desde o ventre da mãe chinesa até o carro chinês exportado.
No Brasil, o presidente tem mais força e em geral tem apoio da maioria do Congresso. Mas em se tratando do que os políticos brasileiros pensam sobre comércio exterior, não há diferenças ideológicas acentuadas entre os partidos políticos. Em termos de comércio exterior, os partidos políticos brasileiros defendem certo nacionalismo na produção. Não há defesa da globalização entre os principais líderes políticos no Brasil e nunca houve de forma significativa um político brasileiro defendendo a abertura comercial como benéfica para o país. Governos brasileiros, em geral, de todas as nuances ideológicas, falam em aumentar a produtividade brasileira, e chegam até a reconhecer as importações como importante fator para isso, mas não passam muito do discurso. Normalmente,  no Brasil espera-se benesses do comércio exterior, sem que o país faça a sua parte para alavancar o comércio global. E os partidos políticos brasileiros são muito idênticos, não só em questões econômicas, o que é ruim para  a democracia.
Hoje em dia as vozes contra a globalização estão dos dois lados do espectro político em boa parte dos países. No mundo acadêmico, a defesa da globalização ficou restrita a defensores do livre comércio que seguramente são uma minoria nas universidades do mundo. E aqueles que atacam a globalização falam não só em questões econômicas, mas também em questões sociais, por conta do avanço de organizações como a Organizações das Nações Unidas (ONU) e União Europeia na legislação dos países, procurando aprovar medidas de forma global que têm amplo impacto cultural, social e até religioso. Mesmo organizações que foram formadas estritamente para lidar com questões econômicas, como o grupo de países G20, estão com uma agenda social ampla, que por vezes atrapalham ou atrasam as negociações comerciais.
Não quero dizer com isso que as negociações comerciais sejam mais importantes do que a agenda social. Eu defendo justamente o contrário, mas não estou certo de que todas as questões sociais sejam mais bem resolvidas globalmente do que localmente. Também não defendo que questões econômicas se isolem de questões sociais, aqui argumento também justamente pelo o contrário. Mas se é para tratar de questões sociais dentro de questões econômicas a formação dos debatedores deve ser diferente.
Como é possível prever o comércio exterior nessas circunstâncias de fraqueza das vantagens comparativas e críticas generalizadas à globalização?
Chamado no Brasil de Paiaçu (grande pai), o filósofo, religioso, escritor e diplomata português Padre Antonio Vieira, em seu livro História do Futuro, disse que o homem, sendo filho do tempo, do presente sabe pouco, do passado menos e do futuro nada[6]. Essa percepção de Vieira já deveria servir de alerta para todos que analisam o futuro em análises de perspectivas, sejam com base nas informações do presente ou nas do passado. Aqui tratamos das perspectivas do comércio exterior do Brasil tentando lembrar a humildade exigida por Vieira.
É fato reconhecido que economistas e organizações internacionais têm péssima reputação em matéria de previsão econômica, especialmente quando se pensa em termos de crise econômica. Em relação à crise econômica de 2008, por exemplo, conta-se nos dedos das mãos os economistas que a previram[7]. Tempos de desordem e caos econômico são períodos em que a análise econômica tende a errar mais, e, paradoxalmente, são nesses períodos que economistas e organizações econômicas são mais necessárias e relevantes. Mas, mesmo em tempos de calmaria, não confie muito em um economista sobre, por exemplo, qual será a taxa de câmbio de final de ano ou qual companhia será mais valorizada nas bolsas de valores. Se ele for do governo certamente será limitado por questões políticas, se ele for de banco será limitado pelo portfólio de investimentos do banco.
Loungani[8], economista do Fundo Monetário Internacional (FMI), tratou da capacidade preditiva dos economistas. E relatou que apenas 2 das 60 recessões que ocorreram no mundo desde os anos 90 foram previstas. E que dois meses antes de cada recessão começar, 25% das previsões ainda eram de crescimento econômico para o país em questão. Além disso, as previsões eram mais otimistas do que a recessão em 50 dos 60 casos. Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve, disse em agosto de 2000, um mês antes da recessão econômica provocada pela “bolha tecnológica”, que aqueles que acham que os Estados Unidos estavam com perda de dinamismo econômico verão que estão errados. Após a crise de 2008, Ahir e Loungani[9] também discutiram a capacidade de previsão dos economistas. Eles consideraram 77 países, dos quais 49 estavam em recessão em 2009. Quantos economistas de três importantes fontes (Consensus Economics, FMI e OECD) em 2008 previram que esses 49 países estariam em recessão em 2009, segundo esses autores? Resposta: nenhum.
Em 2013, Greenspan, reconheceu que ele sempre foi muito mais matemático do que psicólogo, mas que usando matemática e modelos econométricos, mesmo os mais avançados, não se consegue prever de forma adequada as variáveis econômicas. Para ele dever-se-ia incorporar fatores psicológicos, como euforia, irracionalidade, instintos, medos e emoções[10].  Em 2014, escrevendo para a revista Foreign Affairs, Greenspan novamente pôs a culpa na irracionalidade para explicar a falta de poder de previsibilidade dos modelos econômicos[11].
Essa irracionalidade não é apenas de investidores, mas dos próprios economistas e políticos. Por exemplo, o Brasil viu de perto a volatilidade irracional das previsões dos economistas, em pequeno espaço de tempo. De 2009 até 2012, o mundo econômico e político achava que países como Brasil e China seriam os novos líderes da economia global. Eu mesmo tive a oportunidade de participar  de reuniões do G20, uma organização global que reúne as maiores economias do mundo, em 2008, e o que se falava repetidamente é que havia um “descolamento” de Brasil e China da grande crise financeira que o mundo desenvolvido atravessava. A partir de 2013, o Brasil entrou em decadência nas considerações dos analistas, até ser o patinho feio, apresentando o pior crescimento econômico entre as principais economias globais entre 2014 e 2016. A China também sofre com queda do crescimento e elevado endividamento. Se é assim, em tão pouco tempo, como se pode prever um futuro mais longínquo?
Temos ainda o velho problema da falta de confiança nas informações econômicas que vêm da China. Por vezes, os próprios estatísticos do governo chinês admitem que alguns dados econômicos são fraudulentos e falsificados[12].  Em 2015, pesquisa mostrou que 96% dos economistas dos Estados Unidos não confiam nos dados do PIB chinês[13]. Em 2017, uma província chinesa admitiu criar números para que seus administradores aparecessem bem na foto, melhorando os dados fiscais em 20%, por exemplo[14]. O próprio Li Keqiang, primeiro-ministro da China, admitiu que o PIB da China é manipulado e assim não é confiável[15].
Em geral, as justificativas para erros de previsão são de que os economistas e organizações não consideram fatores relevantes ou riscos relacionados em suas análises. Acho, no entanto, que é importante inicialmente considerar restrições burocráticas, justificativas que não são filosóficas, ideológicas ou sistêmicas, para os erros de previsão dos economistas. Quatro justificativas burocráticas podem ser relacionadas a quatro tipos de economistas, diferenciados pela instituição em que trabalham:
a)      Economistas de organizações econômicas internacionais sofrem o peso político dessas organizações, e não têm tanta liberdade para estabelecer suas previsões. Afinal, quem financia e controla essas instituições, como FMI, Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Conferência das Nações Unidas para o Comércio (UNCTAD), são os próprios países;
b)      Economistas de órgãos públicos além de sofrerem o peso político dos líderes em voga, também tendem a considerar que o Estado têm muitas ferramentas para evitar uma recessão. Essa visão também muitas vezes é compartilhada por economistas do mercado, que em geral consideram, por exemplo, que os governos chinês ou norte-americano sempre conseguem evitar recessões.
c)      Economistas de instituições financeiras ou de agências de risco sofrem o peso das aplicações financeiras de suas instituições. Elas têm dinheiro alocado para determinado futuro.
d)     Economistas de universidades sofrem pela falta de experiência no mercado e em governos.

Além dessas justificativas práticas, temos falhas da modelagem econômica, que i) ou não consideram variáveis relevantes, que por vezes não são passíveis de serem calculadas; ii) ou reproduzem demais o passado; iii) ou não consideram o recorrente relacionamento corrupto entre Estado e mercado; iv) ou determinam previsões distorcidas  pela ideologia política e cultural de quem modela.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Debate entre Chesterton e Milton Friedman sobre Liberdade e Arte


No Brasil, uma coisa que me atormenta é ver que os jovens que se dizem de direita e fundam novos partidos, em geral, são de direita apenas para fatores econômicos, esquecem que isso não é ser conservador (ou de direita em termos sociais). Eu me afasto naturalmente desses partidos, mesmo sendo um economista com graduação e mestrado.

Outro dia, eu estava debatendo com um amigo, ex-professor meu, que trabalha no Banco Mundial e eu criticava a teoria do vencedor do Prêmio Nobel de Economia desse ano, teoria do "nudge". Eu disse que a ideia de "nudge" é esquerdista que distorceu o real significado da "racionalidade limitada". O meu amigo retrucou que o vencedor do Prêmio Nobel tinha trabalhado para o "partido conservador" britânico. Eu simplesmente respondi: "meu caro, o partido conservador britânico não é conservador, esse partido apoia aborto, casamento gay, imigração muçulmana, eutanásia, é contra a pena de morte, é a favor do controle de armas...tudo que um partido de esquerda defende."

Por isso, achei muito legal ler sobre um diálogo entre Chesterton e Friedman. Acho que o melhor autor para mostrar o que é realmente ser conservador, de direita, é Chesterton, e não Friedman.

Que diálogo?, você perguntaria.

Outro dia, eu li parte de um livro que é um diálogo entre C.S.Lewis (conhecido no Brasil pelos Contos de Nárnia), Aldous Huxley (autor de Admirável Mundo Novo) e John Kennedy (ex-presidente dos Estados Unidos). O livro é do grande Peter Kreeft que usa o fato de Lewis, Huxley e Kennedy terem morrido no mesmo dia (22 de novembro de 1963) para imaginar um diálogo entre eles no purgatório. O livro se chama Between Heaven and Hell.

No Brasil, quem costuma usar esse método, imaginar conversas entre mortos famosos, é Elio Gaspari, com relativo sucesso.

Mas ontem, o site Aleteia publicou um artigo de John M. Howting III, no qual ele faz um diálogo entre Chesterton e Milton Friedman sobre a liberdade e arte, usando o livro Robinson Crusoé (livro de Daniel Defoe).

Esse diálogo é mais fiel aos autores porque não é uma imaginação de uma conversa entre mortos, é um diálogo usando frases de livros de Chesterton e Friedman.

Para entender o diálogo é precisa saber que Friedman é o patrono do livre mercado e que Chesterton é o patrono da inteligência, do uso do paradoxo e da ironia para iluminar a razão humana e o cristianismo. Por exemplo, quando Chesterton fala que Crusoé faria a "radical e desesperada opção de educar seus próprios filhos", ele está defendendo que os pais eduquem seus próprios filhos. Friedman não usa paradoxos.

Deve-se saber também que não é fácil construir o diálogo sobre um tópico usando os livros, por vezes ficam dúvidas ou pontas soltas. Mas acho que John Howting III mostrou muito bem a aversão que Chesterton tinha aos consumismo e à liberdade baseada em quantidade de coisas disponíveis, que Friedman defendia.

Traduzo o diálogo abaixo:

Milton Friedman: Liberdade não é um valor individual é um valor social. Para Robinson Crusoé na ilha o conceito de liberdade não significa nada para ele.

Chesterton: Robinson Crusoé deve toda a sua vivacidade para o fato dele celebrar a poesia dos limites, celebrar até o selvagem romance da prudência . Crusoé é um homem em uma pequena rocha com poucos confortos: a melhor coisa do livro é simplesmente a lista de coisas que sobraram do naufrágio.

Friedman: Me perdoe, mas não há muito que Crusoé possa fazer naquela ilha. Ele certamente faria mais em Manhattan ou Los Angeles, onde a mão invisível do mercado está funcionando. Se Crusoé tivesse que mandar seus filhos para a escola? A ilha teria várias opções de escolas?

Chesterton: Alguém poderia supor que ele faria uma coisa muito radical e desesperada de educar seus próprios filhos.

Friedman: E se Crusoé quisesse se alimentar? Pense em todas as opções que ele tem em Manhattan. Ele tem escolhas na civilização. Se eles quiser comer na ilha ele tem de fazer sua própria comida e terá poucos instrumentos para cozinhar. Na ilha, Crusoé não tem escolhas, tem inventário do que sobrou do naufrágio.

Chesterton:  O maior de todos os poemas é um inventário. Todas as ferramentas da cozinha se tornam ideais porque Crusoé poderia tê-las perdido no mar.

Friedman: Nós temos mais escolhas e liberdade do que Crusoé. Ele mora em uma ilha, e nós, não, ainda bem.

Chesterton: Eu realmente sinto que tudo que está em ordem é o que sobrou do navio de Crusoé. O fato de haver apenas dois sexos e um sol é como tivessem sobrado apenas duas armas e um machado. É urgente e necessário que nada fosse perdido e é engraçado que nada poderia ser adicionado.

Friedman: Seria melhor e divertido se mais pudesse ser adicionado. Crescer é bom. Nós queremos invenções e inovações. Liberdade significa escolhas. Nosso objetivo não é apenas trabalho mas trabalho produtivo. Um consumidor com muitas escolhas está verdadeiramente livre. Escolha é a essência da liberdade. Limitação é o contrário de liberdade.

Chesterton: Limitação e liberdade andam juntas e não separadas.

Friedman: Você se sente livre com as limitações que são impostas em você? Se eu fosse um monarca absoluto e eu digo "não faça isso"..."Não diga isso" eu faria você mais livre?

Chesterton: Veja, a ideia de "você não deve fazer" é um corolário necessário de "Eu posso". Anarquistas nos dizem que sejamos criativos, sem limites. Mas é impossível ser um artista e não se importar com leis e limites. Arte é limite: a essência de toda as fotos é o quadro.

Friedman: Eu certamente não sou um anarquista. Eu nunca serei. Entretanto, uma vez que você trouxe o assunto da arte, eu não imporia limites nos artistas.

Chesterton: A própria arte impõe limites nos artistas. "Se você desenhar uma girafa, você deve desenhá-la com um pescoço longo. Se você, de sua maneira criativa e ousada, se livrar de desenhar uma girafa com um pescoço curto, você realmente descobrirá que não é livre para desenhar uma girafa. No momento em que você entra no mundo dos fatos, você entra num mundo de limites. Você pode libertar coisas de leis estranhas ou acidentais, mas não das leis de sua própria natureza. Você pode, se quiser, libertar um tigre de seus grades; mas não o liberte das suas listras. Não libere um camelo do fardo de sua corcunda: você pode estar liberando-o de um camelo.

Friedman: Deixando a arte de lado. Nós estamos aqui para discutir o sistema que desekamos. Acho que nós dois concordamos que não se estabelecer leis que suprimam a liberdade artística. A natureza da expressão artística é um tópico completamente diferente.

Chesterton: Arte, assim como a moral, consite em estabelecer a linha (o limite) em algum lugar.

Friedman: Moralidade é uma coisa individual não é uma coisa coletiva.

Chesterton: Mas o coletivo é determinado pela moral.

Friedman: Não entendi bem o que você quer dizer:

Chesterton: É o que senti depois de ler Robinson Crusoé. As árvores e os planetas pareciam coisas salvas do naufrágio ... Eu me senti econômico sobre as estrelas como se fossem safiras. Pois o universo é uma joia única. Este cosmos é de fato sem par e sem preço justamente porque não pode haver outro.

Friedman: Você tem uma concepção particular do universo. É uma teoria particular que não a mesma da coletividade.

Chesterton: Os indivíduos são mantidos por um universo. Existe claramente uma ordem para o universo. Se tal ordem de coisas não existisse, dificilmente seria um universo, mas um verso múltiplo. Abandonar esta ordem seria desobedecer a ordem. A ordem na criação só pode vir de um criador. Você não acha que devemos seguir seu pedido? Se o autor da existência deu uma ordem? Quando eu era jovem, o mais que eu pensava em Crusoé mais eu sentia que nós devíamos obediência àquele que nos. E, por último, e mais estranho, surgiu uma impressão vaga e vasta de que, de certo modo, tudo bem havia um remanescente para ser guardado e sagrado de alguma ruína primordial. O homem salvou seus bens assim como Crusoé salvou seus bens: ele os salvou de um naufrágio.


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A Doutrinação de Al-Gore nas Crianças. Chamem a Escola Sem Partido, Please.



No vídeo, para promover o filme do Al-Gore, vemos crianças respondendo sobre o que sabem sobre mudança climática, daí mostram um vídeo para elas em que aparece uma criatura chamada Prince EA, que é um rapper.

Rapper realmente deve ser quase um climatologista.

Terrível.

As crianças ficam exaltando "os cientistas", todos defemderiam que há aquecimento global, mas as pessoas são estúpidas não ouvem aos "cientistas".

O que dizer?

O mundo precisa da Escola sem Partido para conter Al Gore e seus asseclas.



(Agradeço a indicação do vídeo ao site Climate Depot)


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A Que Ponto Chega a Idiotice de "Cientistas Sociais Climáticos"?



O Washington Examiner deixou claro sobre até onde vai a cabeça de um "cientista social climático". Esse pessoal é realmente um caso psiquiátrico, pois eles não têm formação científica no assunto, mas enchem o peito para atacar o gás carbônico. Por vezes, acho que eles não sabem nem identificar as estações do ano.

O jornal mostrou o caso do Dr. Jason Hickel, professor da London School of Economics (LSE).

Apesar de ser professor da LSE, para ser honesto com os economistas, como eu mesmo, Hickel não é economista de formação, ele é antropólogo. A sua biografia diz que ele é "especialista em globalização, finanças, democracia, violência e ritual".

Hummm...ampla formação e especialização.

E qual é a solução do Dr. Hickel para o mundo?

Reduzir o crescimento econômico na marra, por meios burocráticos governamentais. Para ele, as pessoas deveriam trabalhar menos e consumir menos. Os governos não apenas deveriam ter todo o controle dos meios de produção (como no comunismo) mas também deveriam reduzir o crescimento econômico.

Em poucas palavras, Hickel exalta o empobrecimento.

Idiotice que nem os comunistas e fascistas pensaram em fazer, pelo contrário, em geral, os países comunistas e fascistas procuram mostram que crescem mais rápido que os países capitalistas.

Por que Hickel deseja isso para o mundo?

Ora, por conta do carbono e da biodiversidade. O homem está destruindo tudo, emitindo carbono, comendo carne, etc. O ser humano é uma praga na cabeça de Hickel. A reportagem não fala, mas ele certamente deve apoiar aborto em massa e eutanásia também.

Como seria feito isso que Hickel quer?

Ele acha que deve ter um controle internacional sobre a economia global, fazendo os países crescerem menos agora e os países pobres também crescerem menos a partir de 2025.

Nesse caso, Hickel se parece com um comunista, com um fascista ou com o islamismo, que são formados a partir de um estado forte para decidir por todos em todos os aspectos.

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Nos meus artigos sobre questões ambientais, eu me restrinjo a falar de gastos públicos, comércio internacional e modelagem econômica, nunca me atrevo a dá pitaco em questões científicas, pois não tenho formação. Hickel é realmente um caso psiquiátrico, mas o pior é que ele não está sozinho no mundo, a maioria consegue ótimos empregos, como o próprio Hickel, que se saísse da LSE conseguiria facilmente um emprego na ONU.

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Vejam a reportagem do jornal.


The far-left has an idiotic new craze: reduce economic growth


Even the Soviets sought to maximize economic output. But today's contemporary far-left are far bolder: they believe that economics itself is wrong.
From their perspective, government shouldn't simply control the means of economic production (socialism), it should actively work to reduce gross domestic product (GDP).
Enter Dr. Jason Hickel of the London School of Economics, a man on a crusade to end "the tyranny of GDP."
In an interview for BBC's Newsnight show on Thursday, Hickel called for"degrowth." Ignoring energy innovation in fracking, nuclear power, renewables, and battery-based power systems, Hickel claimed that Earth is running out of resources. Rich nations are apparently to blame because we "use three times our fair share of bio-capacity."
Hickel then claims that degrowth is not the same as "austerity" (reduced government spending). Instead, he says, "the goal is to increase human well-being and happiness while reducing our economic footprint."
Sure.
Nevertheless, Hickel makes this sound very easy. He claims that we can "cut excess consumption by curbing advertising and taxing carbon."
Also by "introducing a basic income and a shorter working week would allow us to get rid of unnecessary jobs."
I doubt Hickel is talking about government jobs when he describes those "unnecessary." Nor are we told how the basic income would be affordable alongside declining growth.
Regardless, by calling for curbed advertising, Hickel makes clear his belief that individuals only deserve the basics. He, of course, will be ready to tell them what they need.
The simple point here is that Hickel's world would deny the individual pursuit of happiness.
We know this thanks to an article Hickel wrote for The Guardian in July. He explained that "industrialized countries will have no choice but to downscale their economic activity by 4-6 percent per year. And poor countries are going to have to follow suit after 2025, downscaling by about 3 percent per year."
There's a particularly pernicious quality in this far-left talk. This isn't just a theory for the opinion pages, it's a manifesto for human misery.
First off, consider what "downscaling by about 3 percent per year" would mean for "poor countries."
Especially at the lower-skilled levels it would mean mass unemployment, the entrenchment of political power with a wealthy elite and away from emergent middle classes, declining foreign investment, and government's growing inability to provide basic services to the people. In that, it would be a recipe for civil strife and violence.
As in Venezuela, of course, Hickel and his compatriots would likely approve "truth committees" to corral the unknowing masses.
For rich countries? A 4-6 percent economic decline would be the endorsement of a permanent great depression. Again, employment, living standards, productivity, and aspiration would all fall by the wayside. And as individuals jockeyed to survive, corruption would grow endemic. Forget innovations such as new medicines, new iPhones, and high-value research. The future would be bleak, and perpetually so.
But don't take Hickel's word or my attestations for it.
Ask the people of Vietnam. Once communists, they are now the world's most avowedproponents of capitalism.
They are the proof of Hickel's lie.



quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Hangout com Dr. Ricardo Felício, Climatologista da USP



Assistam acima o hangout que fiz com Dr. Ricardo Felício hoje, discutindo as "mudanças climáticas".

Espero que gostem, Foi uma honra, discutir o assunto com tão renomado climatologista.


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Dr. Ricardo Felício (Climatologista da USP) e Eu Combatendo o tal "Aquecimento Global"


Ontem, eu enviei um link sobre mais uma fraude climática para o meu amigo Dr. Ricardo Felício, renomado climatologista da USP, e ele resolveu traduzí-lo e ao final mencionou meu nome, disponibilizando vários links do meu blog Bloco 11, Cela 18, além de um link do meu outro blog (Thyself, O Lord).

Dr. Ricardo disponibilizou o texto traduzido com os links no site Fake Climate.

Mas aqui vai o texto que ele fez novamente:

Austrália: Escritório do Clima Pego Adulterando Dados Climáticos
Por: Chris White, Tradução: Dr. Ricardo Felício

Cientistas australianos do Bureau of Meteorology (BOM) solicitaram uma revisão dos instrumentos de gravação de temperatura depois que a agência governamental foi pega adulterando registros de temperatura em vários locais.

As autoridades da Agência admitem que o problema com os instrumentos que registraram baixas temperaturas (que desapareceram dos dados) provavelmente aconteceu em vários locais em toda a Austrália, mas eles se recusam a admitir a manipulação de leituras de temperatura. A BOM deu falta de blocos de registros em Goulburn e Snow Mountains, ambos em Nova Gales do Sul.

O meteorologista Lance Pidgeon observou a gravação de 13 graus Fahrenheit em Goulburn desaparecendo do site da agência a partir de 2 de julho. As leituras de temperatura flutuaram brevemente e depois desapareceram do site do governo.
"A temperatura caiu para -10,0 graus Celsius (14 graus Fahrenheit), ficou lá por algum tempo e depois mudou para -10,4 graus Celsius (13 graus Fahrenheit) e depois desapareceu", disse Pidgeon, acrescentando que notificou a cientista Jennifer Marohasy sobre o problema, o que acabou chamando a atenção das leituras para a agência.

O gabinete mais tarde restauraria a leitura original de 13 graus Fahrenheit depois de uma breve sessão de perguntas e respostas com Marohasy.
"O sistema de controle de qualidade da agência, projetado para filtrar valores falsos ou baixos falsos, foi ajustado em -10,0 graus Celsius de mínima para Goulburn, e é por isso que o registro foi ajustado automaticamente", disse uma porta-voz da mesa aos repórteres na segunda-feira. BOM acrescentou que há limites em relação a quão baixas temperaturas podem ocorrer em algumas áreas muito frias do país [nota do trad.: como podem se estabelecer mínimas por filtros para registros de Estações Meteorológicas de Superfície? Ainda mais se no local essas temperaturas são plausíveis?].

O chefe-executivo do BOM, Andrew Johnson, disse ao ministro australiano do Meio Ambiente, Josh Frydenberg, que a falta de registro das baixas temperaturas em Goulburn, no início de julho, deveu-se à equipamentos defeituosos. Uma falha semelhante eliminou uma leitura de 13 graus Fahrenheit em Thredbo Top em 16 de julho, embora as temperaturas naquela estação tenham sido registradas tão baixas quanto 5,54 graus Fahrenheit (-14,7 graus Celsius).

A falta de observação das baixas temperaturas "foi interpretada por um membro da comunidade de forma a implicar que o escritório procurou manipular o registro de dados", disse Johnson, de acordo com o jornal The Australian. "Eu rejeito categoricamente essa implicação".

Marohasy, por sua vez, disse aos repórteres que as afirmações de Johnson são quase impossíveis de acreditar, dado que existem capturas de tela que mostram as temperaturas muito baixas antes de serem "asseguradas pela qualidade". Pode demorar várias semanas antes do equipamento ser testado, revisado e voltar a ficar pronto para o serviço, disse Johnson.

"Eu tomei medidas para garantir que o equipamento neste local seja substituído imediatamente", acrescentou. "Para assegurar que eu tenha uma garantia total sobre esses assuntos, eu acionei uma revisão interna de nossa rede de AWS (Automatic Weather Station - Estação Meteorológica Automática) e os processos associados de controle de qualidade de dados para observações de temperatura".

BOM foi colocado sob o microscópio antes em manipulações semelhantes. A agência foi acusada em 2014 de adulterar o registro de temperatura do país para que pareça que as temperaturas se aqueceram ao longo das décadas, de acordo com relatórios em agosto de 2014.

Marohasey afirmou no momento que os registros de temperatura ajustados da BOM são "propaganda" e não ciência. Ela analisou os dados brutos de temperatura de vários lugares da Austrália, comparou-os com os dados da BOM e descobriu que os dados da agência criaram uma tendência de aquecimento artificial.

Marohasey disse que os ajustes da BOM alteraram os registros de temperatura australiana de uma leve tendência de resfriamento para um "aquecimento dramático" ao longo do século passado.

Link da matéria:

Comentários extras do Prof. Ricardo:
O pior é que não pára por aí... a coisa está cada vez pior. No fechamento das Estações Meteorológicas de Superfície, muitas destas se situavam em lugares frios, como por exemplo, algumas da Sibéria, que no desmonte soviético, foram encerradas e passaram a não fazer mais parte da média global, seja lá que abstração isto se configure para o clima. Assim também foi fácil produzir um "aquecimento" nas séries para média global, quando se encerrou as medições das estações em lugares frios. Um exemplo brasileiro foi o encerramento do projeto Meteoro do INPE, em 2011, que desde o final dos anos 80 vinha registrando os dados meteorológicos na Estação Antártica Comandante Ferraz. A série começou a mostrar redução dos valores de temperatura, daí, não se tornou mais interessante que apresentassem tais informações.
Os cientistas do clima do século XXII, se é que teremos ciência até lá, não poderão utilizar os dados de temperatura do século XXI por contaminação "política". Ao invés de termos registros fidedignos para o melhor entendimento da atmosfera e os climas regionais, as informações vem descaradamente sendo adulteradas, deixando de ter a confiabilidade para os registros climatológicos de longo período.
Enfim, as fraudes são várias. 

Algumas foram elencadas pelo Dr. Pedro Erik Carneiro. Disponibilizo alguns links muito interessantes abaixo:
Paraguai:
Mais países:
Documentário:
Apenas minoria dos cientistas acredita em mudança climática:
Erros de "Previsão":
Mudança Climática é só estupidez humana:
Admissão de que não vai haver aquecimento:

Tem muito mais, mas essas são bem relevantes.
Ricardo Augusto Felicio

Prof. Climatologia

quinta-feira, 30 de março de 2017

"Menos de 1% de Artigos em Jornais Científicos Seguem Método Científico"



O professor, engenheiro, e "forecasting" J. Scott Amstrong argumenta em vídeo que menos de 1% dos artigos publicados em jornais científicos seguem métodos científicos. O foco dele são artigos "científicos" que tratam de mudança climática.

Para ele os métodos científicos são


Por que isso acontece, artigos não usam métodos científicos básicos e conseguem publicar em jornais científicos de prestígio? Porque nenhum avaliador exige isso:


Vejam o relato da análise de Arsmtrong clicando aqui.

Eu complementaria dizendo que hoje em dia o discurso (mesmo falacioso) é mais relevante que o método científico e que a pressa dos dias de hoje exalta a preguiça. Dificilmente um pesquisador faz análise do que foi dito antes sobre o assunto que pesquisa.



quinta-feira, 2 de março de 2017

Por Que o Livro Ética Protestante de Weber Resiste Apesar de Tese Falsa Já Bastante Derrubada


Eu já li o livro "Ética Protestante e o "Espírito" do Capitalismo", de Max Weber. E para mim parece um livro de alguém que resolveu escrever o que pensa sem qualquer critério científico, Jogou ideias soltas sem qualquer base histórica.

Esse livro de Weber foi originalmente dois artigos que ele publicou em uma revista do qual era editor. Assim não passou pelo crivo de nenhum historiador. Quinze anos depois, Weber resolveu colocar os textos em forma de livro, emendando-os.

Para mim não chega nem a ser um livro o que ele escreveu. É um panfleto, daqueles que a gente encontra na rua, com teses que parecem corretas, mas são completamente erradas. Por sinal, o livro todo é baseado em argumentações meio bobas de Benjamin Franklin que Weber usa como muleta para qualquer argumentação. 

Tantos historiadores do passado e atuais já desmontaram o livro. Mas ele continua por aí, sendo estudado e respeitado. Por que será?

Eu costumo, quando leio um livro, fazer comentários em lápis do lado. Não tem livro que eu tenha feita mais comentários depreciativos do que esse livro de Weber, mesmo porque ele faz muitos comentários depreciativos para defender sua tese sem sustentação. Se eu tivesse que fazer uma crítica do livro de Weber, eu teria que escrever um livro, pois Weber tem inúmeras passagens que são tão frágeis (por vezes dezenas em apenas uma página) que facilmente se pode fazer críticas demolidoras.

Hoje, leio um texto sobre o assunto no site The Catholic Herald.

Vejamos:

The Catholic work ethic
by 

The idea that Protestants invented capitalism is a myth. In fact the system dates back to the 9th century and the great monastic estates
I was raised on the glories of the Reformation. Like all Lutherans, each Sunday I was further enlightened about Catholic wickedness and about how Martin Luther had set us free to think for ourselves and to seek knowledge, thereby bringing about the modern world. Although I had outgrown much of this by the time I entered graduate school, once there I was instructed in depth and detail in the gospel of Max Weber (1864–1920): that Protestantism gave birth to a unique work ethic that spawned capitalism, and thus it is that modernity is a direct result of the Reformation.
Even now, Weber’s thesis of the “Protestant work ethic” lives on among sociologists, being recounted in detail in every introductory textbook on the market. According to Weber, Protestants dominated the capitalist economy of the West because of all the world’s religions only Protestantism provided a moral vision that led people to restrain their material consumption while vigorously seeking wealth.
Weber argued that prior to the Reformation restraint on consumption was invariably linked to asceticism and, hence, to condemnations of commerce. Conversely, the pursuit of wealth was linked to profligate consumption. Either cultural pattern was inimical to capitalism. Weber claimed that the Protestant ethic shattered these traditional linkages, creating a culture of frugal entrepreneurs content to systematically reinvest profits in order to pursue ever greater wealth; and therein lies the key to capitalism and the path to modernity.
Perhaps because it was such an elegant thesis, it was widely accepted – despite the fact that it was so obviously wrong. As a great deal of subsequent research has demonstrated, Catholic areas of western Europe did not lag in their industrial development. And fully developed capitalism had appeared in Europe many centuries before the Reformation.
As Hugh Trevor-Roper explained: “The idea that large-scale industrial capitalism was ideologically impossible before the Reformation is exploded by the simple fact that it existed.” The celebrated Fernand Braudel complained that “all historians have opposed this tenuous theory [the Protestant ethic], although they have not managed to be rid of it once and for all. Yet it is clearly false. The northern countries took over the place that earlier had been so long and brilliantly occupied by the old capitalist centres of the Mediterranean. They invented nothing, either in technology or business management.” Moreover, during their critical period of economic development, these northern centres of capitalism were Catholic, not Protestant – the Reformation still lay well into the future.
Everyone writing on capitalism accepts that it rests upon free markets, secure property rights and free (uncoerced) labour. By this definition, capitalism was a very Catholic invention: it first appeared in the great Catholic monastic estates, way back in the 9th century.
Many of the very early Church Fathers shared the views prevalent in the Greco-Roman world that commerce is a degrading activity and, at best, involves great moral risk – that it is very difficult to avoid sin in the course of buying and selling. However, soon after the conversion of Constantine in 312, attitudes toward commerce began to mellow, leading Augustine to teach that wickedness was not inherent in commerce, but that, as with any occupation, it was up to the individual to live righteously.
This helped bring about the eventual deep involvement of the Church in the birth of capitalism, when its earliest forms began to appear in about the 9th century in the great estates belonging to monastic orders. Because of the immense increases in agricultural productivity that resulted from such significant innovations, such as the switch to horses, the heavy mouldboard plough and the three-field system, the monastic estates were no longer limited to mere subsistence agriculture. Instead, they began to specialise in particular crops or products and to sell these at a profit, allowing them to purchase their other needs, which led them to initiate a cash economy. They also began to reinvest their profits to increase their productive capacity, and as their incomes continued to mount, this led many monasteries to became banks, lending to the nobility – as they did to so many Crusaders.
As Randall Collins noted, this was not merely a sort of “proto” capitalism involving only the “institutional preconditions for capitalism … but a version of the developed characteristics of capitalism itself”. Collins referred to this as “religious capitalism”, adding that the “dynamism of the medieval economy was primarily that of the Church”.
Throughout the medieval era the Church was by far the largest landowner in Europe, and its liquid assets and annual income not only far surpassed that of the wealthiest king, but probably that of all of Europe’s nobility added together. Many Cistercian houses farmed 100,000 acres, and one in Hungary had fields totalling 250,000 acres.
Until this era, the estates were largely self-sufficient. But with the great gains in productivity came specialisation and trade. Some estates only produced wine, others grew only several grains, some only raised cattle or sheep – the Cistercians at Fossanova specialised in raising fine horses.
Meanwhile, the rapid increase in agricultural surpluses encouraged the founding and growth of towns and cities – indeed, many of the monastic centres themselves became cities. Writing about the great monastery of St Gall in Switzerland, Christopher Dawson noted that by 820 it was “no longer the simple religious community envisaged by the old monastic rules, but a vast complex of buildings, churches, workshops, store-houses, offices, schools and alms-houses, housing a whole population of dependents, workers and servants like the temple cities of antiquity”.
When estates grew into small cities and sustained many scattered outposts, they evolved a more sophisticated and far-seeing management. Unlike the nobility, monks’ affairs were not subject to the vagaries of inherited leadership. The essential meritocracy built into the orders could ensure a succession of talented and dedicated administrators having the capacity to pursue plans of long duration. As the historian Georges Duby put it, the new era forced monastic “administrators to turn their attention to the domestic economy, to reckon up, to handle figures, to calculate profits and losses, to think about ways and means of expanding production”.
Attendant to specialisation was a second development, a shift from a barter to a cash economy. It simply was too complicated and unwieldy for a winemaking estate, say, to barter for its other needs, transporting goods hither and yon. It proved far more efficient to sell its wine for cash and then buy whatever was needed from the most convenient and economical sources.
Beginning late in the 9th century, the reliance on cash spread rapidly. In 1247, a Franciscan chronicler wrote of his order’s estate in Burgundy that the monks “do not sow or reap, nor do they store anything in barns, but they send wine to Paris, because they have a river right at hand that goes to Paris, and they sell for a good price, from which they get all their food and all of the clothes they wear.”
In contrast, the estates of Greco-Roman times were entirely, or primarily, self-sufficient, subsistence operations. Moreover, they were so unproductive that a wealthy family required huge estates in order to live in style. But, even in its earliest stages, capitalism brought immense wealth to orders having only modest fields and flocks.
Meanwhile, the great monasteries began to utilise a hired labour force, more productive than either the monks or tenants required to provide periods of compulsory labour. Thus, as “religious capitalism” unfolded, monks still faithfully performed their duties, but aside from those engaged in liturgy, the rest now “worked” as executives and foremen. In this way, the medieval monasteries came to resemble remarkably “modern” firms – well administered and quick to adopt the latest technological advances.
Traditional societies celebrate consumption while holding work in contempt. This is true not only of the privileged elite, but even of those whose days are spent in toil. Notions such as the “dignity” of labour or the idea that work is a virtuous activity were incomprehensible in ancient Rome or in any other pre-capitalist society.
Rather, just as spending is the purpose of wealth, the preferred approach to work is to have someone else do it and, failing that, to do as little as possible. In China, the Mandarins grew their fingernails as long as they could (even wearing silver sheaths to protect them from breaking) in order to make it evident that they did no labour.
Consequently, capitalism seems to require and to encourage a remarkably different attitude toward work – to see it as intrinsically virtuous and also to recognise the virtue of restricting one’s consumption. Of course, Max Weber identified this as the Protestant ethic, so-called because he believed it to be absent from Catholic culture. But Weber was wrong.
Belief in the virtues of work and of simple living did accompany the rise of capitalism, but this was centuries before Martin Luther was born. Despite the fact that many, perhaps even most, monks and nuns were from the nobility and wealthiest families, they honoured work not only in theological terms, but also by actually doing it. In Randall Collins’s words, they “had the Protestant ethic without Protestantism”.
The virtue of work was made evident in the 6th century by St Benedict, who wrote in his famous Rule: “Idleness is the enemy of the soul. Therefore the brothers should have specified periods for manual labour as well as prayerful reading … When they live by the labour of their hands, as our fathers and the Apostles did, then they are really monks.”
This commitment to manual labour distinguishes Christian asceticism from that found in other religious cultures, where piety is associated with rejection of the world and its activities. In contrast with Eastern holy men, for example, who specialise in meditation and live by charity, medieval Christian monastics lived by their own labour, sustaining highly productive estates. If this was not capitalism in all its glory, it was certainly close enough.
This is an extract from Bearing False Witness: Debunking Centuries of Anti-Catholic History (Templeton Press)