sexta-feira, 17 de setembro de 2021

O "Mercado": a Sodoma

Excelente artigo publicado no Zero Hedge, mostrando o que é o tal propagado "mercado" de nossos dias, onde a corrupção é a norma que enriquece um mundo cada vez mais corrupto, que não tem penalidade para a corrupção, pois se houver o "mercado" desaba completamente. 

O texto é de Michael Every:

Ele traz exemplos da corrupção do mercado de nossos dias, vejamos:

1)  Wall Street Journal relata que  Banco Mundial cancela relatório emblemático‘ Doing Business, após investigação. O problema é: "As autoridades chinesas em 2018 estavam ansiosas para ver sua classificação melhorar, então o Sr. Kim, a Sra. Georgieva e sua equipe realizaram uma série de reuniões para discutir maneiras de alterar a metodologia do relatório para melhorar a classificação da China." Como se pode confiar no Banco Mundial trabalhando de forma tão corrupta. Consequências dessa atitude do Banco? Nenhuma.

2) No Fed,  Jeremy Powell (presidente geral do Fed) ordena uma revisão da ética depois que os outros presidentes do Fed fizeram investimentos multimilionários. De alguma forma, essa violação ética por parte das pessoas que dirigem o sistema financeiro global passou desapercebido por eles até agora. Só agora foi visto que esse velhíssimo jogo financeiro corrupto entre agentes do Fed e mercado. Quais são as consequências esperadas da atitude de Powell? Nenhuma.

3) Problemas de corrupção financeira relatadas que atingem líderes políticos, como Sarkozy, o filho de Biden, Nancy Pelosi, chanceleres alemães em conluio com a Rússia...Penalidades sofridas pelas personalidades? Nenhuma.

Michael Every compara o "mercado" a um filme sobre Sodoma, chamado "Salò, pu 120 dias de Sodoma", dizendo que, como o filme, o mercado é "corrupção política, consumismo, autoritarismo, niilismo, totalitarismo, sadismo, sexualidade e fascismo. Isso é um dia típico de trabalho nos mercados de 2021".

Every tem razão.

E ele nem lembrou os casos de corrupção que envolvem a "moralidade do mundo" (mudança climática, "ética" de governança...).  


domingo, 13 de setembro de 2020

Abundância Global Aumentou 570% desde 1980. Cadê a Crise Populacional e a Crise dos Recursos Naturais?

 


O gráfico acima nos  diz que o Planeta Terra em 2020 está 570,9% mais abundante do que em 1980. É o índice Julian Simon. Em suma, o gráfico nos diz que a população mundial, apesar do enorme crescimento no período, está bem mais rica. Thomas Malthus e seus adeptos continuam errado. O fim do mundo por fome ou por exaustão dos recursos naturais continua sendo apenas uma ideologia barata e falsa. 

Vocês conhecem o Índice Simon? O índice é baseado no pensamento do economista Julian Simon que observou em seu livro The Ultimate Resource de 1981 que os humanos são seres inteligentes, capazes de inovar para sair da escassez por meio de maior eficiência, aumento da oferta e desenvolvimento de substitutos.   Simon faleceu em 1998.

Julian Simon, em 1980, desafiou Paul Ehrlich, autor de Population Bomb, para uma aposta.  Ehrlich escolheria uma “cesta” de matérias-primas que ele esperava que se tornaria menos abundante nos próximos anos e escolheria um período de mais de um ano, durante o qual essas matérias-primas ficariam mais caras. No final desse período, o preço ajustado pela inflação desses materiais seria calculado. Se o preço “real” da cesta fosse mais alto no final do período do que no início, isso indicaria que os materiais haviam se tornado mais preciosos e Ehrlich ganharia a aposta; se o preço fosse menor, Simon venceria. As apostas seriam a diferença de preço final da cesta no início e no final do período.

Ehrlich escolheu cobre, cromo, níquel, estanho e tungstênio. A aposta foi acertada em 29 de setembro de 1980, sendo 29 de setembro de 1990, data do pagamento. Apesar de um aumento populacional de 873 milhões nesses 10 anos, Ehrlich perdeu a aposta. Todas as cinco commodities que ele selecionou caíram de preço em uma média de 57,6%. Ehrlich enviou a Simon um cheque de $ 576.07.

Desde a conclusão da aposta, os apoiadores de Ehrlich argumentaram que Simon teve sorte: se a aposta tivesse ocorrido em uma década diferente, o resultado poderia ter sido diferente. O debate continua até hoje. 

Em 2016, os economistas da Southern Methodist University Michael Cox e Richard Alm revisitaram a aposta Simon – Ehrlich e descobriram que os metais de Ehrlich eram 22,4% mais baratos em 2015 do que em 1980.

A ideia de cálculo um índice de abundância em homenagem a Simon é dos economistas Gale L. Pooley e Marian L. Tupy, publicado pelo primeira vez em um artigo de 2018 (cliquem aqui para lê-lo). É um artigo muito interessante. Até porque faz uma análise histórica dessa ideia malthusiana de que a população deve ser controlada.

O Índice de Abundância Simon (SAI) mede a mudança na abundância de recursos durante um período de tempo. O SAI representa a proporção da mudança na população sobre a mudança no preço-tempo, vezes 100. Tem um ano base de 1980 e um valor base de 100. O conceito de "preço-tempo" é a quantidade de tempo que um ser humano médio tem que trabalhar para ganhar dinheiro suficiente para comprar uma mercadoria. O preço-tempo, então, nos permite dar uma nova olhada na tese de Simon, que afirma que o crescimento da população resultará em menos escassez no longo prazo.

Vejam o gráfico abaixo. Ele mostra que entre 1980 e 2019, o preço médio de 50 produtos básicos caiu 74,2%. Isso significa que, pelo mesmo período de tempo que uma pessoa precisou trabalhar para ganhar dinheiro suficiente para comprar uma unidade em nossa cesta de 50 commodities em 1980, ela poderia comprar 3,87 unidades em 2019. O nível individual médio de abundância, em outras palavras, aumentou 287,4 por cento. Isso equivale a uma taxa composta de crescimento anual de 3,63% e implica uma duplicação da abundância a cada 19,45 anos.



Os autores concluem os dados de 2020 dizendo: "As percepções revolucionárias de Simon com relação à interação mutuamente benéfica entre o crescimento populacional e a disponibilidade de recursos naturais, que nossa pesquisa confirma, podem ser contra-intuitivas, mas são reais. Os recursos do mundo são finitos da mesma forma que o número de teclas do piano é finito. O instrumento tem apenas 88 notas, mas elas podem ser tocadas de uma infinidade de maneiras. O mesmo se aplica ao nosso planeta. Os átomos da Terra podem ser fixos, mas as combinações possíveis desses átomos são infinitas. O que importa, então, não são os limites físicos de nosso planeta, mas a liberdade humana de experimentar e reimaginar o uso dos recursos que temos."

Apesar de toda as provas científicas, Paul Ehrlich é que é exaltado pelo mundo. Tem sempre apoio da mídia e do Papa Francisco.



segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Lewis Hamilton - Um Enorme Exemplo de Hipocrisia de Ricaços


O grande vencedor de Fórmula 1, Lewis Hamilton, ricaço, dono de um dos maiores salários do mundo, que tem uma enorme quantidade de carrões, que tem muitos jatinhos, que viaja de jatinho uma enormidade de vezes  pelo mundo, que dirige patrocinado por firmas petroleiras, está muito preocupado com a mudança climática e detesta gente que come carne.

Ele também apoia o Black Lives Matter, que detesta o capitalismo, mesmo Hamilton sendo um grande divulgador de marcas mais caras do mundo.

Hummm...não é por acaso que muitos comunistas na história eram ricos ou filhos de ricos, ver Marx, Engels, Trostsky, Fidel Castro, Lukács...


sexta-feira, 10 de julho de 2020

Chesterton, o Protestantismo e os Protestantes


Recentemente, eu li uma entrevista do padre Ian Boyd, publicada no site da Sociedade Chesterton Brasil. O padre Boyd é fundador e presidente do The G.K. Chesterton Institute for Faith & Culture.  Quando foi lhe perguntado sobre processo de canonização de Chesterton, o padre Boyd deu a seguinte resposta:

Estou realmente encantado pelo fato de a santidade de Chesterton estar sendo reconhecida de modo oficial. No entanto, tenho algumas restrições quanto ao esforço de reconhece-lo um santo. Ele sempre foi amado por Cristãos Protestantes, e certamente por pessoas que não possuem uma crença religiosa. Temo que dando a ele o título de “Santo Gilberto” podemos limitar este encanto.


Pareceu-me que Boyd não gostava muito da ideia de santificação de Chesterton, pois isso podia prejudicar e diminuir Chesterton para protestantes ou ateus.

Outro dia, eu fui convidado para uma entrevista pelo Dr. Ricardo Felício sobre geopolítica e teologia, que envolvia o Dr, Felício, eu, e o professor Syer Rodrigues. Na prévia da entrevista, Felício me disse que o professor Syer era presbiteriano e que queria ter o ponto de visão protestante sobre geopolítica. Eu respondi que isso era interessante. Expliquei que por vezes acho que o debate entre católicos pode envolver protestantes, quando se trata especialmente de questões mundanas, como era o caso. Mas que em alguns casos, quando o assunto era muito relacionado à doutrina católica, ficava complicado. 

O debate ocorreu muito bem. Até agora foi visto por mais de 18 mil pessoas (o debate pode ser assistido clicando aqui).

Quando eu estava preparando meu livro sobre Guerra Justa, o livro tinha inicialmente o título Teoria e Tradição da Guerra Justa Católica. Mas meu editor pediu para eu tirar o adjetivo "católica" para não inibir a audiência. Eu aceitei, apesar de o livro não tratar da visão protestante sobre guerra, pois nem mesmo sei se existe visão protestante sobre guerra que seja reconhecida por todo o bloco protestante. E entendi que era uma questão mundana e além disso todos os cientistas políticos que tratam de guerra reconhecem que a teoria da guerra justa tem raiz católica. O livro foi publicado então com o título Teoria e Tradição da Guerra Justa. 

Mas voltando para o caso Chesterton: devemos esconder o catolicismo dele de forma até a evitar a sua santificação com o intuito de não reduzir a audiência protestante ou ateia?

Eu acho que não, acho que não mesmo. Chesterton fez e faz um bem gigantesco à Igreja Católica e aos leigos católicos, os leva para o paraíso com humor e amor. Elevá-lo à santidade iria exaltar todo o amor que ele tinha pela Igreja, mesmo antes de se converter.

Chesterton foi "católico" mesmo quando era protestante. O primeiro livro que li de Chesterton foi o Ortodoxia e para mim era um livro católico, pois Chesterton exaltou por exemplo a idade Média, os mosteiros católicos e São Francisco de Assis no livro. Sem falar que Chesterton escreveu os livros do Padre Brwon antes de se converter. Eu não sabia que ele não era católico quando li o livro Ortodoxia de 1908. Ele só se converteu em 1922.


Golonka é polonês, doutor em filosofia pela Universidade de Cracóvia, trabalhou como vice-reitor do Instituto São Pio X de Paris até 2014. Sua tese de doutorado foi sobre a filosofia de Chesterton e foi publicada em francês em 2016 (iamgem abaixo)


O livro de Golonka sobre a visão do protestantismo de Chesterton foi estimulado pela decisão do papa Francisco de "celebrar" a Reforma Protestante em 2017, quando a reforma fez 500 anos.

Certa vez, eu assisti a um vídeo de Dale Alhquist, que é presidente da Sociedade Chesterton dos Estados Unidos, no qual ele estava falando sobre como Chesterton via a educação e a economia. Após relatar toda a desgraça de nosso momento educacional e econômico no mundo, que destrói a família e a religião, Alhquist disse que Chesterton achava que essa destruição teve origem seminal justamente na Reforma Protestante.

Então, mesmo depois de já ter lido a "autobiografia" de Chesterton (que não pode ser chamada de autobiografia da forma tradicional), eu me interessei muito pelo livro de Golonka.

E o livro cumpriu fielmente seu objetivo de mostrar o que Chesterton pensava sobre protestantismo.

Logo no início, Golonka descreve como a crença religiosa de Chesterton mudou durante a sua vida. 

Chesterton teve pais Anglicanos, foi batizado como Anglicano, depois ele se tornou Unitariano (crença que discorda da trindade cristã e vê Cristo não como Deus, mas apenas como inspirado por Deus), depois Chesterton, na juventude ainda, ficou meio ateu, modernista e agnóstico e até usou a tabuleiro Ouija (tabuleiro com nomes e números usado para sessões espirituais), em seguida, por influência de sua esposa, Chesterton se tornou Anglo-Católico (Anglicano da "alta Igreja" que procura se posicionar dentro da tradição católica). Chesterton se casou em 1901, só 21 anos depois ele se converteu ao catolicismo, sua esposa depois se converteu também.

Por que Chesterton demorou tanto para se converter ao catolicismo? O irmão dele que ele tanto amava se converteu 10 anos antes. Não tem como explicar isso, só Chesterton seria capaz, mas Golonka suspeita que o principal obstáculo foi o amor enorme que ele tinha pela esposa.

Mas como eu disse, tanto pelo seu viés "anglo-católico" como por seu pensamento ortodoxo, os escritos de Chesterton sempre me pareceram muito católicos, muito antes da conversão dele. Muitos que falam sobre isso lembram diversas passagens de Chesterton em seus livros e artigos anteriores a sua conversão.

Golonka descreve inúmeras passagens de livros de Chesterton no qual Chesterton fala sobre o protestantismo e sobre os protestantes, especialmente sobre Lutero, Calvino e John Knox, mas também representantes do puritanismo calvinista e um pouco sobre o metodista John Wesley. 

Em especial, Golonka destaca dois livros de Chesterton para ver a posição dele sobre o protestantismo: "The Thing: Why I am Catholic" (1929) e "The Well and the Shallows" (1935)

Chesterton considerava que uma heresia (erro teológico/filosófico) era pior que um crime físico, pelo caráter amplo e destruidor das almas que a heresia traz.

Chesterton disse que o "protestantismo representa o naufrágio da cristandade". Ele relacionou o protestantismo com a morte da alegria, com o espírito destruidor tanto do capitalismo como do comunismo, com a morte da família (protestantismo era ávido para trazer rigidez á soberania de Deus na vida das pessoas, mas era louco pela aprovação do divórcio e da contracepção),  com o pacifismo hippie, com o prussianismo militarista alemão e sua má influência na Inglaterra, com o desequilíbrio da fé e da razão, com perda da noção mística de que as ideias místicas estão conectadas e não podem andar separadas na salvação humana, com a destruição da ideia da divindade da criação do ser humano, com o fim da liga de nações que o catolicismo trazia, com a contradição em si, dado a permanente mutabilidade do protestantismo entre suas várias seitas que faz com que aceitem agnósticos e ateus. 

Chesterton parece desprezar o pensamento e mesmo a vida de Lutero, pois não se aprofunda na análise de luteranismo. Lutero, para Chesterton, é um bárbaro que é exatamente o oposto do que deve ser defendido para o que o ser humano seja. Chesterton foca sua artilharia mais especialmente em Calvino e no puritanismo que provém do calvinismo. Calvino foi a consequência lógica do erro de Lutero e aprofundou o erro ao ponto de abandonar parte da humanidade, os não eleitos. Chesterton disse que o calvinismo "é o mais anti-cristão dos sistemas cristãos". Chesterton chega a colocar o calvinismo e o islamismo lado a lado em suas análises, apesar de suas diferenças que ele também nota. Calvinismo trouxe a onipotência de Deus junto com a impotência do homem. O puritanismo calvinista merece ainda mais críticas de Chesterton.  Ele também reconhece que seitas que surgiram do calvinismo, como o metodismo, aliviaram a questão da predestinação, mas também aumentaram o erro do puritanismo. Hoje boa parte do protestantismo, mesmo de fonte calvinista, ao invés de falar que há alguns eleitos fala que todo mundo vai ser salvo.

Chesterton disse que as seitas protestantes melhoram à medida que são mais católicas. Um verdadeira união só é possível dentro do catolicismo, quando os protestantes voltarem para casa e pararem de "protestar". Chesterton reafirma que as críticas saudáveis que se fazia aos clérigos da Igreja Católica já eram feitas pelos santos da Igreja, não precisava protestar do lado de fora. O protestantismo foi um erro, os protestantes fazem "virtues gone mad" (virtudes enlouquecidas)

Vamos exaltar Chesterton como ele foi, sem esconder nada. Nem seus defeitos, nem suas qualidades. Nenhum santo foi um ser humano perfeito, só foram bem melhor que a gente.

Finalmente, não faz nenhum sentido, nem teológico, nem histórico, nem pastoral, para um católico, leigo ou clérigo, celebrar a Reforma Protestante. Para os católicos, em poucas palavras, ela atraiu muita gente para o Inferno e além de ter tido um impacto seminal gigantesco perverso na história da humanidade, como disse Chesterton.

Mas faz todo o sentido um católico exaltar o catolicismo de Chesterton.

Uma passagem de Chesterton que é muito comum de ser mostrada é a que vai abaixo e foi escrita por Chesterton muito antes dele se converter:

"Estou firmemente convencido de que a Reforma Protestante do século XVI foi tão próxima quanto qualquer coisa mortal pode chegar ao mal puro.
Mesmo as partes da Reforma que podem parecer plausíveis e iluminadas do ponto de vista puramente secular se tornaram podres e reacionárias, também do ponto de vista puramente secular.
Ao substituir o sacramento pela Bíblia, a Reforma criou uma casta pedante daqueles que sabiam ler, identificados supersticiosamente com aqueles que pensavam.
Ao destruir os monges, a Reforma tomou o serviço social dos pobres filantropos que escolheram negar a si mesmos e o deu aos ricos filantropos que escolheram se afirmar.
Pregando o individualismo, preservando a desigualdade, a Reforma produziu o capitalismo moderno.
A Reforma destruiu a única liga de nações que já teve uma chance. Produziu as piores guerras de nações que já existiram. Produziu a forma mais eficiente de protestantismo, que era a Prússia. E está produzindo a pior parte do paganismo, que é a escravidão"



terça-feira, 19 de maio de 2020

Chesterton e Churchill


Por vezes, eu vejo alguns chestertonianos relacionando Chesterton com Churchill. Parece-me um desejo de juntar dois gênios ingleses do século XX. Tenho dificuldades com isso.

Recentemente, eu adquiri a palestra "Cigar-Smoking Prophets: Chesterton and Churchill", da Sociedade Gilbert Keith Chesterton. Palestra proferida por Tod Worner.

Worner tem justamente essa tentativa comum de tentar juntar Chesterton e Churchill. Ele nos fala basicamente de similaridades entre eles e muito pouco sobre diferenças.

Aqui vai um resumo do que ele disse:

- Ambos nasceram no mesmo ano, 1874.

- Chesterton nasceu em família de classe média. Churchill nasceu de família aristocrata.

- Chesterton tinha uma família adorável, enquanto os pais de Churchill eram distantes. O  pai era político renomado que não se dedicava muito para filho, e a mãe, uma socialite, também não se dedicava.

- Ambos fizeram sua própria educação, fora da escola. Ambos declararam que tinham desprezo pela escola regular.

-  Ambos escreviam muito. Foram escritores e historiadores.

- Ambos gostavam de pintar e desenhar.

- Churchill correu mais o mundo, especialmente como militar.

-  Ambos casaram e ficaram casados até a morte.

- Ambos eram gordos e desorganizados. Gostavam de bebidas e cigarros.

- Ambos eram brilhantes.

- Ambos eram patriotas, mas Churchill era imperialista e Chesterton, não.

- Chesterton era cético com relação a políticos e aristocratas, Churchill era um político e aristocrata.

- Como político, Churchill mudou de partido, foi da direita para esquerda e voltou. 

- Chesterton era distributista, enquanto Churchill apoiava o capitalismo.

- Sobre religião, Chesterton se tornou católico. Churchill era distante de religião, mas defendia o cristianismo (sem determinação de forma teológica).

- Ambos identificaram claramente três ameaças no século XX: bolchevismo, nacional-socialismo de Hitler, e falhas na defesa da civilização cristã.


Apesar de concordar com o que Tod Worner disse, eu acho que os dois gênios eram bem diferentes. 

Acho que há duas coisas que devem ser ditas logo de cara em qualquer análise sobre os dois:

1) Churchill não era defensor das ideias sociais, morais e teológicas de Chesterton. Churchill seria hoje um esquerdista social (ele apoiou a eugenia, por exemplo), que entendia a importância da civilização cristã, sem tomar muito lado em questões morais. 

2) Chesterton não conheceu o melhor de Churchill. Chesterton morreu em 1936, com 62 anos. 

Nesta época, Churchill estava entrando no seu ocaso político. O melhor de Churchill ocorreu na Segunda Guerra Mundial. Sob a sua liderança o Reino Unido se defendeu contra Hitler e lutou contra Hitler na Europa. Churchill viveu até os 90 anos.

Churchill, durante a vida de Chesterton, assumiu vários cargos de ministro, especialmente posições militares. Ele também era um político do tipo "maverick", não reprimia muito suas opiniões para defender posições partidárias. Chesterton não deve ter visto muita diferença entre os políticos de sua época, e Churchill sofria muitas críticas por suas posições como comandante militar e como político.

Durante a guerra, Chesterton já tinha falecido, ele certamente teria apoiado algumas ações de Churchill, mas teria diferenças em outras. Talvez Chesterton tivesse se voltado mais para os Estados Unidos, afinal só depois da entrada deste país foi que a guerra contra Hitler foi vencida. 

O império britânico, que era tão defendido por Churchill, basicamente acabou depois da Segunda Guerra, mesmo tendo os britânicos vencido a guerra. Tenho dúvidas de que Chesterton acharia isso ruim.

Sem desprezar a gigantesca perda de vidas dos russos (a maior entre todos os países da guerra), a Segunda Guerra foi vencida basicamente pelos Estados Unidos, na minha opinião. Mesmo a defesa da Rússia contra Hitler só foi obtida pelo gigantesco fornecimento de material bélico dos Estados Unidos para a Rússia. Os russos usaram tanques, aviões e material de comunicação "made in USA". Foi o poderio industrial e militar americano que, basicamente, já em 1943 derrotou claramente as forças do Eixo. O Japão foi vencido já no final de 1942, após a batalha de Midway. A insistência em permanecer na guerra se deve a caráter moral belicoso, de desapego à vida, tanto de alemães como de japoneses.

Hitler e Stálin ficaram juntos de 1939 a 1941, depois Hitler atacou Stálin. Chesterton, certamente, teria visto as semelhanças entre os dois líderes e entre os dois regimes políticos. E a opinião dele sobre a união entre aliados e Rússia sofreria uma análise rigorosa de Chesterton. Churchill apoiou as reivindicações de Stálin, durante a guerra. Só depois de 1945 é que Churchill quis liderar o mundo contra o que chamou de cortina de ferro comunista.

Em suma, se eu fosse escrever um livro sobre os dois, eu acho que eu teria foco nas diferenças morais entre eles e não em similaridades. E teria parado em 1936, depois daí fica difícil analisar.


segunda-feira, 20 de abril de 2020

O Que Chesterton Falaria sobre o Coronavirus?


Vamos fazer mais uma pequena suposição sobre qual seria a opinião do gigante pensador inglês, G.K.Chesterton.  Dessa vez, vamos pensar em qual seria a posição de Chesterton sobre o principal problema global de hoje: o novo coronavirus.

Bom, saber qual seria a posição de alguém que já faleceu é difícil  Erra-se até quando se tenta prever o que dirá a nossa mãe (a pessoa que, em geral,  mais conhecemos), e também não é incomum que ótimos escritores, pessoas que conseguiram elevar a imaginação humana, sejam terríveis como pensadores políticos ou em suas análises de questões sociais. Muitos foram defensores de Hitler ou Stálin, por exemplo, a lista destes é imensa, e geralmente assusta quem leu os livros deles.

Além disso, as opiniões que eles tiveram em vida foram tomadas pelas circunstâncias em que viveram. Como mostrou o próprio Cristo, existe uma moral divina que fundamenta todas as reações, mas essas reações são moldadas pela circunstâncias. Por vezes, se oferece a outra face, por vezes reage-se (Cristo reagiu, indagando um agressor em João 18:23).

Então, para se fazer uma suposição de posicionamento político ou social de alguém que faleceu, deve-se fazer primeiro estes "disclaimers" acima e também deve-se se ater à ética que se depreende do que a pessoa escreveu ou falou, para que a nossa imaginação não se descole muito da ética do pensador.

Com isso em mente, vamos imaginar qual seria a posição de Chesterton frente ao vírus chinês que assombra o mundo. Chesterton não fugiu da ética dos seus livros ao tratar de questões políticas e sociais e isso facilita a análise.

Qual é a ética, princípios morais, que rege o pensamento chestertoniano?

Ler os livros de Chesterton é descobrir, na minha opinião, o escritor que mais conheceu a alma humana. Ele olhava do ponto de vista de um anjo o que se passava nos atos e mentes humanas, com todos os seus paradoxos. Mas este olhar angelical de Chesterton era também um olhar de fogo purificador. Ele usava e abusava do parodoxo e da ironia para destruir completamente o pensamento de quem era seu oponente moral. Todos que enfrentaram Chesterton em debate reconheciam a beleza e também a força destruidora de seus argumentos.

Chesterton conhecia muito bem o humano, valorizava esta criação divina ao máximo, mas sabia das profundezas diabólicas que o ser humano pode alcançar. Chesterton não era bonzinho, ele era genial em seus argumentos, destruía os argumentos de forma tão bela que o oponente ficava maravilhado, enquanto era aniquilado em sua moral.

O seu gosto pelo o que era humano, então, o faria certamente ter verdadeiro pavor pela ideia de isolamento social. Isso seria reduzir demais o humano.

Por exemplo, Chesterton, para meu conhecimento, nunca escreveu sobre sua posição sobre esportes, a não ser para dizer que achava que eles deveriam ser prazerosos e não formarem uma falsa religião. Mas, eu acho, que se fosse para analisar futebol e voleibol, acho que ele veria futebol como superior, por permitir mais o humano, enquanto o voleibol demanda pessoas de um tipo físico específico.

Em suma, o humano em sua totalidade é o material de deleite de Chesterton, se afastar do contato humano nos "pubs" ingleses seriam terrível em vários e profundos aspectos para o escritor inglês.

Ele, na minha opinião, detestaria "lives" e detestaria ainda mais ver igrejas vazias, estas seriam traumáticas, para ele.

O isolamento social seria uma tirania para Chesterton. Ele sempre olhava para governos com muita desconfiança.

Mas ele aprovaria algum isolamento social em nome de se evitar as mortes dos humanos?

Chesterton via as necessidades do homem em sua totalidade, necessidades materiais e espirituais, e reconhecia o relacionamento (não o determinismo) entre essas necessidades.

Mas acho que ele aprovaria algum isolamento social, especialmente, nos negócios, com muito pesar, muito pesar mesmo, mas não para as liturgias das igrejas, e abriria fogo para os culpados por essa situação.

Em todo caso, seria uma questão difícil para ele, vivemos um momento inédito na história, em que o globalismo, econômico e social, trouxe um doença terrível global.

Chesterton teria, na minha opinião, completo desprezo por inúmeros aspectos sociais que consideramos normais no nosso dia a dia. Se eu como cristão me sinto completamente exilado no mundo moderno e seus politicamente correto, casamento gays, eutanásias, abortos generalizados e Vaticano silenciado, imagine Chesterton.

Supondo que Chesterton conseguiria sobreviver a estes tempos tenebrosos para o pensamento chestertoniano, acho que ele primeiro exigiria completa reversão do globalismo e afastamento da doutrina comunista/socialista de apoio à China dentro dos países.

Se Chesterton identificou muito bem o militarismo prussiano na formação da Alemanha, para a Primeira Guerra Mundial, imagine o que ele pensaria da ditadura tirânica da China que controla até o nascimento do humano.